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Como fundamentar seu relato de experiência no Serviço Social (o passo a passo do Articula)

Tem uma coisa que separa um relato comum de um bom trabalho acadêmico no Serviço Social:

fundamentação.


Não é só o que você viveu.É como você conecta essa experiência ao que já foi produzido.

E foi exatamente isso que trabalhamos na última oficina do Articula:

como localizar produções bibliográficas para fortalecer relatos de experiência — sejam resumos ou artigos.

Mas antes de chegar nisso, precisamos recuperar um ponto central.


1. O que construímos até aqui: o caminho do relato de experiência

Nas oficinas anteriores, trabalhamos uma ideia simples:

toda assistente social tem uma experiência que pode virar conhecimento.

O desafio nunca foi falta de conteúdo.

foi falta de método para organizar e desenvolver essa experiência.


2. O ponto de partida é a experiência (e isso está certo)

Na prática, a maioria dos textos começa assim:

“Este trabalho relata a experiência…”

E isso está correto.

Porque, nas condições reais de trabalho:

é a experiência que temos em mãosé por ela que conseguimos começar


3. O passo seguinte: desenvolver a experiência

O que fizemos no Articula não foi negar o relato.

Foi avançar a partir dele.

Para isso, trabalhamos uma lógica simples:

começar pela experiênciamas organizar o texto com método

E esse método começa com perguntas muito objetivas.


4. A estrutura de um bom relato

Ao longo das oficinas, organizamos um caminho a partir de perguntas norteadoras:

Sobre o que você quer falar? (tema)

Onde e quando isso aconteceu? (contexto)

O que está em jogo nessa experiência?

Quais ações você desenvolveu?

Quais mediações foram necessárias?

Quais limites e possibilidades apareceram?

Que análise essa experiência permite fazer?

Essas perguntas ajudam a transformar vivência em texto.


A partir delas, conseguimos organizar:

tema

contexto

desenvolvimento do trabalho profissional

mediações realizadas

limites e possibilidades

análise


Isso vale tanto para resumo simples, resumo expandido e também para o artigo.


Se você perdeu as oficinas anteriores:

recomendo fortemente voltar nelas.

Porque é lá que trabalhamos, passo a passo:

como elaborar um resumo simples

como desenvolver um resumo expandido

como sair da experiência para a análise

Sem essa base, a fundamentação perde força.

Com essa base, tudo fica mais claro e possível.


5. Do resumo expandido ao artigo: o salto de qualidade

Até aqui, organizamos a experiência.

Mas o movimento seguinte que fizemos na oficina foi outro:

sair do resumo expandido e caminhar em direção ao artigo


E isso não acontece “aumentando o texto”.

Acontece organizando melhor o pensamento.

Foi nesse momento que retomamos três elementos centrais:

o objeto

o objetivo geral

a definição de dois eixos de discussão (tema 1 e tema 2)


Objeto

O objeto não é qualquer coisa.

Ele é construído assim:

tema + onde + quando


Ou seja, você delimita exatamente o que está analisando e em qual realidade concreta isso aconteceu.


Objetivo geral

O objetivo não é descritivo.

Ele precisa ser formulado com um verbo que indique análise:

verbo no infinitivo + objeto


Exemplo da lógica:

analisar, compreender, problematizar, discutir

Isso muda completamente o nível do texto.


Tema 1 e Tema 2

A partir do objeto, você extrai dois eixos de discussão:

Tema 1

Tema 2


Eles são fundamentais porque:

organizam o desenvolvimento do artigo

evitam que o texto vire apenas narrativa

ajudam a construir análise a partir da experiência


É isso que permite transformar:

um resumo expandido em artigo

Sem isso, o texto fica solto.

Com isso, ele ganha direção.


6. E só depois vem a fundamentação

Na oficina, isso foi muito enfatizado.

A fundamentação não é o ponto de partida.

Ela entra depois que você já sabe o que está analisando.

Ou seja:

primeiro a experiência

depois a organização do objeto

depois o objetivo

depois os eixos de análise

e só então a fundamentação


Isso evita um erro comum:

começar pelo autor sem saber o que se quer dizer

Aqui, a lógica é outra:

você parte da experiência

organiza o pensamento

e busca na teoria aquilo que ajuda a aprofundar a análise


A teoria deixa de ser enfeite.

Ela passa a ser ferramenta.


6. Por que fundamentar?

Porque experiência isolada não sustenta um texto acadêmico.

É preciso mostrar que:

o que você viveu não é individual

faz parte de uma realidade mais ampla

já vem sendo discutido na área


Em outras palavras:

você precisa dialogar com a produção existente.


7. Postura cri-cri com-com

Aqui entra uma ideia central do Articula:

queremos assistentes sociais com postura crítica, criativa, comprometida e competente.


E isso exige:

domínio da prática e também da produção teórica


8. Como buscar produções: o método da Escola Profissional de Luta

Na última oficina, trabalhamos exatamente isso:

como localizar produções para fundamentar o seu texto


E fizemos isso a partir de dois acervos principais:

Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES

Anais do CBAS


9. Passo a passo da busca bibliográfica

Primeiro ponto: não se começa buscando qualquer coisa.

Parte-se do que já foi construído:

tema 1 e tema 2

Deles saem as palavras-chave.

Definir a palavra-chave:

em geral, o próprio tema já é a palavra-chave

Não é para inventar.

É para usar o que já foi definido.


Evite começar com algo muito específico. Comece amplo e depois filtre.

Onde buscar:

primeiro, o Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES

Depois:

aplicar filtro em “área de avaliação: Serviço Social”

Com os resultados:

ler título por título

selecionar o que dialoga

descartar o que não dialoga


Depois, repetir a mesma lógica nos Anais do CBAS.


10. O que isso tem a ver com o seu texto

Isso não é para juntar referência.

É para:

ajudar você a escrever os temas 1 e 2


E depois:

entrar com o seu relato de experiência


11. O que precisa aparecer no seu texto

Você precisa indicar a busca.

Exemplo:

“Foram realizadas buscas no Catálogo de Teses e Dissertações da CAPES e nos Anais do CBAS, a partir da palavra-chave ‘trabalho’.”

Simples. Direto. Rigoroso.


12. E agora?

Nada muda na estratégia.

Primeiro:

responder as perguntas

organizar o relato


Depois:

fundamentar com base na busca


Se der tempo:

avançar para o artigo


E aqui vale reforçar algo central:

antes de tudo, priorize um bom resumo expandido fundamentado

Porque é ele que organiza a experiência, estrutura o pensamento e já te coloca em condições reais de submissão.


O artigo pode vir depois.

O resumo expandido é o passo decisivo agora.


No Seminário, existem três possibilidades de submissão:

resumo simples

resumo expandido

artigo completo


Cada uma cumpre um papel.

Mas, dentro das condições concretas da maioria das assistentes sociais, o caminho mais estratégico é garantir, no mínimo, um bom resumo (simples ou expandido).


Porque ele já permite:

publicação nos anais

apresentação no Seminário

certificação

fortalecimento do currículo

e um passo concreto na direção do mestrado


Se depois disso vier o artigo, melhor.

Mas o compromisso agora não é com dar conta de tudo.

É com materializar a experiência em forma de produção acadêmica.


E isso tem um objetivo muito claro:

o Seminário

não é para “um dia”, é para agora.


Em uma frase, como foi reforçado na oficina:

vocês já têm a experiência

agora precisam fundamentar essa experiência em teoria

porque aqui a gente trabalha com postura cri-cri com-com


Participe do Seminário Nacional de Fundamentos do Trabalho em Serviço Social!

O Seminário não é só um evento. É uma extensão da nossa experiência formativa na Escola Profissional de Luta, construída junto com estudantes e professores das nossas três especializações:

  • Fundamentos do Trabalho em Serviço Social;

  • Gestão de Políticas Públicas;

  • Produção de Documentos e Emissão de Opinião Técnica.

É, portanto, uma oportunidade concreta de sair da sala de aula, compartilhar suas experiências, fortalecer seu currículo e, principalmente, dar um passo importante na sua preparação para processos seletivos de mestrado e outras qualificações profissionais.


Como participar?

Você pode participar de três formas:

  1. Ouvinte – Inscrição gratuita. Dá acesso às transmissões ao vivo, mas não gera certificado.

  2. 🎓 Participante – Inscrição paga (R$ 47,00). Dá direito a:

    • Certificado de 30 horas;

    • Acesso às gravações por 120 dias na plataforma da Escola Profissional de Luta.

  3. ✍️ Autor/a – Inscrição paga (R$ 97,00). Dá direito a:

    • Publicação do seu trabalho nos anais do evento (de acesso público);

    • Certificado de publicação e apresentação;

    • Apresentação do seu trabalho no Seminário.


O que você pode publicar?

Você pode escolher entre três formatos:

  • Resumo simples: até 1500 caracteres (sem parágrafo).

  • Resumo expandido: entre 1501 e 6000 caracteres.

  • Artigo completo: entre 10 e 15 laudas.

👉 Pode submeter até dois trabalhos, sozinha/o ou em coautoria.


Que tipo de trabalho você pode enviar?

  • Sistematização do trabalho profissional;

  • Relato de experiência;

  • Resultado de pesquisa;

  • Reflexão teórica.


Sobre o que escrever?

O seminário tem 20 eixos temáticos. Você pode relatar sua experiência profissional, de estágio ou de pesquisa em áreas como:

  • Políticas sociais (assistência, saúde, educação, habitação, previdência...);

  • Sociojurídico (prisões, socioeducativo, poder judiciário, etc.);

  • Trabalho em empresas, ONGs, movimentos sociais;

  • Trabalho na resistência às opressões (racismo, machismo, lgbtfobia, capacitismo, etc.);

  • Produção de documentos, emissão de pareceres, condições de trabalho, saúde mental da categoria;

  • Supervisão, estágio, formação profissional;

  • E muito mais!


Fique atento/a às datas!

  • Envio de trabalhos: até 05 de abril de 2026.

  • Resultado inicial: 04 de maio de 2026.

  • Data limite para pagar a inscrição como autor/a: até 10 de maio de 2026.

  • Resultado final: 10 de maio de 2026.


E na apresentação?

Se o seu trabalho for aprovado, você terá entre 10 e 15 minutos para apresentar. Pode usar slides (opcional) e, depois de cada bloco de três apresentações, há espaço para perguntas e debates.


Por que participar?

Porque este Seminário é mais do que um evento acadêmico. É um espaço de formação, de memória coletiva, de fortalecimento do nosso projeto ético-político e da produção crítica no Serviço Social.

E sim: conta ponto em seleção de mestrado, residência e outros processos seletivos. É publicação em anais, com ISBN, com certificado – e com muito conteúdo e potência profissional.

Se você é minha aluna na especialização, este é o espaço perfeito para colocar em prática aquilo que desenvolvemos nas nossas oficinas, nas aulas e na construção do nosso percurso formativo.


Acesse o edital, escolha seu tema e envie seu trabalho:



 
 
 

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